Ação do PEQ reúne trabalhadores e autoridades em Campo Limpo

São Paulo, 23 de fevereiro de 2018 – A coordenadora de Políticas de Emprego e Renda da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), Sara Diego, e o diretor-regional Grande São Paulo Sul da Pasta, Sidney Luiz da Cruz, estiveram na tarde de ontem na Ação Social Franciscana do Brasil, em Campo Limpo, com alunos do Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ) e outros trabalhadores que compareceram para cadastro.

Eles foram recepcionados pelo frei José Artur de Sousa, que também teve a visita do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. Os supervisores do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PATs) Feitiço da Vila, Felipe Ernani, e Grajaú, Herbert Fonseca, colaboraram na organização. Os professores do curso de Corte e Costura, Joana Félix, e de Atendimento e Recepção, Edvaldo de Oliveira Lima Santos, estiveram presentes.

 

Formado em Pedagogia, Santos já deu aulas no Estado e em escolas particulares. Convidado a ministrar o curso do PEQ, não teve medo do desafio. “Aluno é aluno e me coloco muito no lugar deles. Alguns vêm a pé, de longe, têm mais dificuldades. Olho pelo lado humano, a maioria tem idade para ser meu filho. Não vejo muita diferença em relação aos trabalhos anteriores. A maioria deles é bem interessada. Procuro passar o conteúdo de forma dinâmica e pego no pé mesmo. Gosto deles e eles de mim.”

Gilberto Martins de Almeida, 48 anos, aluno de Santos e morador de Valo Velho, era só elogios para o curso e a equipe do PAT Feitiço da Vila, onde foi informado sobre ele. No emprego anterior, ficou um ano e meio como cobrador de ônibus. Há dois, vive de “bicos” como ajudante de pedreiro e fazendo “esqueletos” de pipas artesanalmente.

Estudante nato, não pretende parar. Não pôde cursar a faculdade de Secretariado no passado por questões financeiras, mas já cursou Mecânica de Motos, Injeção Eletrônica, Auxiliar de Escritório, Datilografia e Pedreiro – este, também via PAT. Faz em paralelo outro curso atualmente, no centro da cidade.

Noivo há quatro anos, espera que seu interesse pelo conhecimento ajude na busca de um novo emprego e na realização do sonho. “Coisa do Governo muita gente critica, mas tem de aproveitar a oportunidade. Hoje a gente tem de se informar, saber se comunicar, estar atualizado. O conhecimento leva para muitos lugares. Não tenho emprego fixo, mas não falta serviço. Um curso complementa o outro e me faz um profissional melhor.”

Elia Rafaela Javalquinto Nilo, 27 anos, solteira, mãe de uma garota de sete anos e moradora de um “puxadinho” da casa dos pais na Chácara Santa Maria, Zona Sul, foi até o local para se cadastrar no programa. Estava chegando de uma entrevista no PAT Feitiço da Vila, mas o resultado não foi positivo porque ela não estava no perfil da vaga. Desempregada há um mês, dispensada após seis meses de firma, não se abala. “Não dá pra ficar em casa. Éramos sete vendedores num projeto-piloto e desde o começo deixaram claro que poderia expandir ou não. Ganhávamos comissão também. Acharam melhor investir mais nas vendas pela internet e acabaram ficando só dois funcionários”, contou, consciente e “antenada” da situação atual do mercado.

“A gente não pode ficar alienado. Muitos são pegos de surpresa porque não procuram informação. É preciso estar sempre atento e já começar a ficar de olho quando as coisas começarem a modificar”. Ela se interessa em cursos das áreas de Vendas e Administração. “Já sou do ramo. Venda sempre tem o administrativo por trás. Foram cinco anos trabalhando com isso. Aliás, consegui esse emprego por meio do PAT”. Antes, havia atuado como Operadora de Telemarketing e fui “subindo”. “Passei por back office, supervisão, coordenação. Mas houve um momento em que não via mais para onde crescer. Na sequência, felizmente, consegui o outro.”

Experiente, mas ciente da necessidade de se aperfeiçoar, diz que continua buscando conhecimento. “De repente você é bom na empresa em que está hoje, mas vai para outra e não sabe nada. Até mostrar que é tão bom quanto quem já está lá, vai tempo. Não dá pra deixar de aprender.”

Durante a cerimônia, Sara elogiou o trabalho de Cruz e de Paulinho na luta pelos trabalhadores, um com foco na região e outro em Brasília. Salientou a presença do PEQ em São Paulo todo e que se trata do único curso do Estado que fornece uma bolsa em dinheiro, no valor de R$ 330 em cada um dos dois meses de duração.

Sidney ressalvou a importância do trabalho desenvolvido pela Ação Social Franciscana do Brasil junto às famílias carentes e o empenho do Estado, por meio da SERT, na criação de políticas públicas inclusivas para fomento do emprego e da renda nas periferias.

Paulinho da Força falou um pouco de sua trajetória, da evolução rápida e contínua da tecnologia e da influência dela no mundo do trabalho, daí a necessidade de aperfeiçoamento contínuo. Salientou a iniciativa da SERT em oferecer qualificação remunerada e a força do povo da periferia. Ele também falou da luta pela não-aprovação da Reforma Trabalhista, que acabou passando no Congresso, e a da Previdência, que conseguiram barrar. Esta última, segundo ele, é necessária para combater os abusos existentes, mas tem de ser feita de forma estruturada.

Assessoria de Comunicação/SERT
Texto: Adriana Rota
Fotos: Paulo Cesar Rocha
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