“Chega de fingir que nada está acontecendo”, diz secretário de Estado

Tadeu Morais cobra explicações do Ministério do Trabalho; secretário do Paraná, Romanelli, diz que MTE Mais Emprego não evoluiu

São Paulo, 12 de março de 2014 – Tadeu Morais, titular da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT) do Estado de São Paulo, desde que começou a faltar carteira de trabalho nos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) e unidades do Poupatempo, resolveu chamar o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) à responsabilidade. “Chega de fingir que nada está acontecendo”, afirmou o secretário em referência à falta frequente de carteiras e às constantes falhas do sistema MTE Mais Emprego.

Implantado em 2011 pelo governo federal, o MTE Mais Emprego substituiu sistema estadual Emprega São Paulo e acumula, desde então, reclamações dos cidadãos que precisam dar entrada no seguro-desemprego ou se cadastrar para uma vaga de trabalho.

“O sistema oscila, é lento e causa prejuízo para o trabalhador que precisa voltar várias vezes ao posto para fazer a mesma solicitação”, afirma Morais. “Não é esse tratamento que queremos que tenha o cidadão do Estado”.

Campinas, uma das regiões afetadas, chegou a distribuir senhas para os cidadãos que procuravam os postos. “Foi o jeito encontrado para tentar minimizar as filas e fazer o trabalhador perder menos tempo”, afirmou a diretora regional da SERT em Campinas, Ana Paula Brunetti. O recurso, porém, não funcionou. “Muita gente descontente, nossos funcionários sendo agredidos sem ter culpa de nada”, garantiu Ana Paula.

Célio Kiill, regional da pasta em Araçatuba, enfrenta os mesmos problemas. “A população critica os atendentes, achando que é má vontade deles para atendê-los” .

A situação de Campinas e Araçatuba se repete no estado todo, segundo a totalidade dos diretores regionais da SERT.

Róbson Liria, diretor da região Marília, diz que “todo o sistema fica fora de serviço, tanto na IMO (intermediação de mão de obra) quanto no seguro-desemprego, há problemas de toda ordem”.

Em Franca, Ana Maria Baptistella, relata os mesmos problemas. “Há formação de filas porque o fluxo  é grande e o sistema quando está no ar é lento, gerando reclamações constantes”.

Sonia Nunes, regional de Botucatu, vai além. “O sistema atual ao invés de ser um facilitador para o trabalhador, se tornou um complicador”, afirma Sonia.

O diretor regional da SERT em Bauru, Alexandre Bertoni, também tem sido constantemente provocado pela imprensa local para explicar os problemas na rede. “A pessoa que perde o emprego e precisa do dinheiro do seguro-desemprego entra em desespero, é uma situação muito triste”, diz Bertoni.

 Fonset

A reincidente falta de CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) e o próprio sistema, são temas que o secretário Morais pretende levar à próxima reunião do Fonset (Fórum Nacional das Secretarias do Trabalho) em 17 de março. “Vamos cobrar soluções imediatas, o governo federal tem que parar de enrolar os trabalhadores”,  disse Morais.

“O fato das pessoas poderem consumir mais criou uma cortina de fumaça que encobre problemas sérios como esse. Ter é importante, claro, todo mundo quer poder ter geladeira nova, uma televisão boa, mas o cidadão precisa ser melhor atendido, com dignidade e isso não tem acontecido. Vou cobrar até o último dia da minha gestão, até que alguma coisa seja feita”.

Para o secretário do Trabalho do Paraná e presidente do Fonset, Luiz Cláudio Romanelli, as reclamações extrapolam os estados de São Paulo e Paraná. “Penso que o Brasil inteiro passe por esse problema”. Segundo Romanelli, a Dataprev (contratada do MTE para o desenvolvimento do sistema), “tem tido dificuldades em promover os avanços que nós entendíamos que deveriam ser feitos, frustrando o resultado de melhor qualidade no atendimento”.

Assim como afirma Morais em relação ao Emprega São Paulo, o antigo sistema do Paraná substituído pelo MTE Mais Emprego, segundo Romanelli,  atendia melhor às necessidades do Estado. “Muitos dos problemas que o MTE Mais Emprego tem foram alertados pelos nossos técnicos”, afirma o secretário.

Romanelli diz que o sistema paranense foi colocado à disposição do ministério que preferiu “adotar um outro”. “Desde que foi implantado, em agosto de 2011, o MTE Mais emprego não evoluiu”, conclui.

Cintia Ruiz