Feirão ajuda imigrantes na busca por emprego

Numa parceria entre o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) localizado no Centro de Integração de Cidadania do Imigrante (CIC), da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, o projeto Sí, Yo Puedo, o coletivo Conviva Diferente e a Include Quality, será realizado na próxima quarta-feira (24 de junho), das 9 às 16h30, o 1º Feirão do Emprego para Imigrantes, no CIC (próximo ao metrô Barra Funda).

Trata-se de um projeto-piloto que contará com palestras sobre como se comportar numa entrevista de emprego, dicas para elaboração de currículo e direitos do trabalhador, além de intermediação de mão de obra e seleção para candidatos a partir dos 18 anos, com ensino médio concluído ou cursando.

A supervisora do PAT/CIC, Thaís Alcantara de Lima, diz que a maioria da procura é de refugiados, especialmente do Haiti, Nigéria e Síria, mas também há procura por bolivianos, peruanos, paquistaneses, senegalenses, sul-africanos, dentre outros. Para pleitear um emprego, é preciso estar cadastrado na Polícia Federal, obtendo o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE) ou o protocolo de refúgio, além de apresentar carteira de trabalho e CPF.

“Um problema comum é que a maioria das instituições e de empresas desconhecem que o protocolo já é um documento válido. Até para abrir conta em banco eles acabam tendo dificuldade”, explica. “Isso sem contar a barreira da língua: já chegou candidato aqui falando quase somente dialeto. Em Português, sabia falar ‘trabalho’, ‘meu amigo’, ‘São Paulo’. Ligou para um amigo, me deu o telefone e consegui passar as informações, para que traduzisse depois.”

A recepcionista do CIC tem fluência no Espanhol. Thaís se comunica em Inglês e “arrisca” o Francês. Panfletos nessas línguas trazem as orientações mais relevantes. “Faço a intermediação de mão de obra como um PAT convencional, cadastramento no sistema, verificação de vagas que estejam no perfil, encaminhamento àsentrevistas e seguro-desemprego. Oriento que procurem falar em Português – e aprendam, se ainda não sabem, e dou uma dicas gerais sobre como se portar e se apresentar. Mas também procuro ajudar no que for possível, em outras áreas, porque eles vêm aqui precisando de tudo”, relata.

A maior parte dos candidatos a emprego são homens – 180 de janeiro a maio, (num total de 259 atendimentos e 224 encaminhamentos). Eles buscam vagas naconstrução civil, ou por possuírem experiência anterior ou por terem informações prévias de que os salários em geral superam R$ 1 mil nesse ramo e oferecem alojamento. Já as mulheres procuram mais colocações como ajudantes de cozinha, auxiliares de limpeza e funções típicas de hotéis. Ensino médio completo ou incompleto é a situação mais comum. As vagas para candidatos sem experiência são a partir de um salário mínimo. Os mais bem remunerados, na casa dos R$ 1,2 mil, são os especializados, como eletricistas.

Muitos falam, além da língua natal, pelo menos um segundo idioma, e há os que têm qualificação profissional mas sem validação do diploma – o que requer solicitação ao consulado do país de origem. Assim, pessoas com boa formação e experiência muitas vezes têm de executar serviços aquém de seus conhecimentos. Thaís esclarece, no entanto, que os que estão de fato precisando – e são a maioria – aceitam o que aparece, por entender que a situação atual no local de onde vem ou mesmo no Brasil não é das mais fáceis.

“Há muitas diferenças culturais. Tem gente que não entende, por exemplo, por que não pode simplesmente ir direto na empresa ou por que precisa de um currículo. Acha que é só chegar lá e começar a trabalhar. Também háestranhamento com relação aos padrões brasileiros, porque é comum terem atuado por conta própria em seus países”, explica Thaís.

As empresas são orientadas que a tendência é receberem cada vez mais estrangeiros. E Thaís alerta: todo imigrante têm os mesmos direitos do trabalhadorbrasileiro, não sendo possível escolher ou discriminar, e muitos deles já vêm com essa informação. “É claro que não temos como acompanhar de perto o que ocorre depois, mas o empregador precisa se dar conta que, em muitos casos, quem vem de fora está até mais bem preparado ou mais disponível que um brasileiro. Podem perder um bom profissional por desinformação.”

São feitos de cinco a dez atendimentos por dia no PAT, que funciona durante a semana, das 8 às 17 horas. Normalmente os imigrantes estão abrigados em albergues públicos, instituições, casas de familiares ou amigos, e chegam ao local pelo “boca a boca” – embora em outros PATs haja a orientação para que se dirijam ao CIC, para facilitar o atendimento, que tem de ser ainda mais próximo e humanizado.

Sobre o CIC
O CIC do Imigrante foi criado com a proposta de ser um espaço em que o imigrante pudesse encontrar os diversos serviços que lhe são necessários. Inaugurado no final do ano passado, oferece um atendimento especializado e centralizado de informações e serviços com objetivo de acolher e facilitar o acesso a direitos fundamentais a estrangeiros que chegam a São Paulo em situação de vulnerabilidade.

Iniciativa da Secretaria da Justiça, é um projeto pioneiro do Governo do Estado, atendendo à crescente demanda detectada pelos comitês de enfrentamento ao tráfico de pessoas, combate ao trabalho escravo e atenção a refugiados coordenados pela pasta. Vários órgãos públicos funcionam no local, como as defensorias públicas Estadual e Federal, o Procon e a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (por meio do PAT). Também são oferecidos cursos de Português para estrangeiros e cursos profissionalizantes por entidades de voluntários.

Você é imigrante e está procurando emprego?
Vá ao CIC – rua Barra Funda, 1.020, próximo à estação do metrô Barra Funda.


É empregador e quer disponibilizar vagas?

Você também pode ir diretamente ao CIC ou ligar para 11 3104-2733 /3115-2048. Aproveite e conheça a cartilha “Trabalhando com Refugiados”: http://goo.gl/awlW8w .
Adriana Rota
Assessoria de Imprensa da SERT