Idade de trabalhar

Por Tadeu Morais

Recente pesquisa do IBGE aponta que o salário médio do brasileiro chegou a R$1,9 mil, o maior desde que a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) começou a ser apurada. O desemprego nacional, embora com leve alta registrada em setembro, também mantém-se estável.

Os índices animadores levam a considerações outras, que não nos fazíamos há 20 ou 30 anos. Naquela época, o desemprego, grande vilão, tirava o sono do trabalhador. A inflação comia o salário já baixo recebido pelo brasileiro. Discutia-se o emprego, dificilmente a qualidade dele.

Hoje, a situação é diferente. O pleno emprego no Estado de São Paulo nos dá possibilidade de avaliarmos e, muitas vezes, até decidirmos onde queremos trabalhar.

A parte a ser questionada é a entrada do jovem no mercado de trabalho que acontece cada vez mais tardiamente. O prejuízo é do próprio jovem que, mesmo qualificado, não acumula a experiência, exigida pelo mundo corporativo.

O que fazer? Como incentivar e mostrar ao jovem que a capacitação conquistada nos bancos das escolas, muitas vezes, não substitui a prática?

Recentemente, participei de uma palestra em Bauru (promovida pela Comissão Municipal do Emprego da cidade, através do diretor regional da SERT, Alexandre Bertoni) justamente sobre esse assunto. Mais de mil jovens ouviram e falaram sobre o tema que dá sinais de extrapolar barreiras teóricas. Relatos de economistas atestam que o aumento do poder aquisitivo das famílias retarda a entrada do jovem no mercado de trabalho.

Se o jovem não se sente incentivado, talvez o caminho inverso deva ser trilhado. Existem programas que investem na contratação de jovens inexperientes? Sim, o governo do Estado de São Paulo, através da SERT, possui duas dessas ações: o Aprendiz Paulista e o Jovem Cidadão.

No primeiro, alunos do Ensino Técnico dos Centros Paula Souza (ETECs) são contratados como aprendizes. Trata-se de uma forma interessante do empresário conhecer o jovem, com custo bastante reduzido. O aprendiz recebe salário mínimo-hora pago pelo empregador de R$ 3,08. A contratação é feita em regime CLT, através de um contrato por tempo determinado.

O Jovem Cidadão oferece ao empresário a mão de obra dos estudantes do ensino médio das escolas públicas estaduais.  Embora não sejam alunos com formação técnica, o papel social de oferecer um início de carreira, uma oportunidade, é importante. São incentivos simples, baratos e que a classe empresarial precisa se utilizar.

A opção por programas como esses só traz benefícios para a sociedade. Para o jovem que tem o incentivo para começar a trabalhar mais cedo, para o empresário que garante mão de obra interessada e qualificada, para o governo que aumenta o recolhimento de encargos sociais.

Convido os empregadores do estado de São Paulo a conhecer mais sobre essas e outras ações, através do Portal do Emprega São Paulo (www.empregasaulo.sp.gov.br) e me coloco já à inteira disposição para esclarecimentos que contribuam para aumentar a participação dos jovens no mercado de trabalho.