Na raça

Por Tadeu Morais

Negro que sou, o próximo 13 de maio me diz respeito diretamente. Em um momento não tão distante da minha história, alguém do meu sangue, comemorava em causa própria, a Lei que aboliu a escravatura no Brasil. Isso faz 126 anos.

O medo do futuro com a liberdade nas mãos que se apresentava naquele momento perdura nos dias atuais. Claro que os exemplos de sucesso, de superação, são citados e devem ser lembrados. Mas cada criança negra que nasce ainda vai ter que batalhar mais, estudar mais para ter menos oportunidade de trabalho, ganhar menos, ter menos destaque profissional que a branca.

Recente episódio mostrou o jogador Daniel Alves tentando engolir o racismo que lhe foi atirado em forma de banana. Embora apoie o gesto, o fim do preconceito está longe das mãos de atos isolados. Muito menos das campanhas inegavelmente oportunistas que se seguiram e esvaziaram uma discussão que poderia ter sido bastante produtiva.

Temos uma oportunidade batendo a nossa porta com a Copa do Mundo. Podemos mostrar, na raça, verdadeiramente quem somos e a que viemos.

Não somos todos macacos. Não somos todos negros. Sou favorável a uma campanha mostrar simplesmente que “somos”. Porque somos tantos. Somos brancos e negros e amarelos. Somos pessoas com deficiência, somos religiosos e ateus, somos até bonitos e feios dependendo do padrão.

Que nesse 13 de maio lembremos e lutemos para que sejamos vistos apenas como seres humanos. Seres humanos com direitos iguais. Simples assim.

Tadeu Morais é secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho