Não é só dinheiro

Por Tadeu Morais

São Paulo, em fevereiro, deste ano criou quase 78 mil novas vagas de emprego, uma expansão de 0,61% em relação a janeiro. Esse foi o melhor resultado para o mês nos últimos três anos. Bom, né? Sim, parece ótimo.

Mas como o “Estado do Trabalho”, estamos longe de conquistar a igualdade de oportunidades. Ainda hoje o homem, por exemplo, tem mais chances que a mulher de conseguir um bom trabalho, melhor remunerado. Em 2013, o rendimento médio da mulher na região metropolitana de São Paulo foi de R$ 1.457. O rendimento masculino foi de R$ 2.083.

Assim como para as mulheres, as minorias acabam tendo um tratamento diferenciado no mercado de trabalho.

A pessoa com deficiência é um exemplo perfeito desse cenário. Por mais qualificada que seja, a pessoa com deficiência muitas vezes fica excluída ou limitada a trabalhos “braçais” quando poderia ser aproveitada em funções totalmente intelectuais.

Isso se manifesta por quê?

Pela desinformação.

Acredito que já passamos da fase do preconceito. Embora sem negar sua existência, o empresariado mais bem informado já sabe que a contratação se faz pelas competências e não “deficiências” dos candidatos.

A SERT (Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho) faz um trabalho importante em todo o estado através do PADEF – Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência – e que todo empresário interessado tem acesso. É realizada, a princípio, uma palestra de conscientização, de integração que pode facilitar esse processo.

O empregador que optar por contratar a pessoa com deficiência será atendido por uma mão de obra capacitada e, pelo que comprovam os números, profissionais extremamente fiéis à empresa onde trabalham. A rotatividade ainda não alcançou essa parcela da população.

Não vem aqui ao caso entendermos o motivo. O fato é que temos 9 milhões de pessoas com deficiência em São Paulo. Desse total, quase 5 milhões ainda não trabalham por absoluta falta de oportunidade. São pessoas que num ambiente de trabalham integram, ajudam, e dão a diversidade necessária para o próprio crescimento da empresa. Pessoas com deficiência também consomem e precisam ser enxergadas e, para isso, integradas.

Hoje temos a Lei de Cotas, que obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservarem de 2% a 5% de seus quadros para a pessoa com deficiência. Já começamos a ouvir que deverá entrar em vigor para incluir também na Lei de Cotas as empresas menores, provavelmente com 50 funcionários. O empresário vai esperar que chegue a Lei para que sejam obrigados a contratar?

A pessoa com deficiência hoje, mais que receber um salário, precisa ter assegurado seu direito básico ao trabalho, ao desenvolvimento de seu potencial. Só dessa forma, através do reconhecimento de suas habilidades, é que essa parte da população vai se sentir efetivamente contemplada pela Lei de Cotas.

O dinheiro necessariamente precisa estar atrelado ao sentimento de estar integrado. É nesse sentido que o PADEF trabalha. Não em busca de privilégios, mas na intenção de chegarmos de fato a uma sociedade inclusiva, que respeite o direito de todos pelo trabalho.

Tadeu Morais é secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo