O piso salarial único

por Carlos Ortiz

Na última reunião das centrais sindicais (Força Sindical, Nova Central, UGT, CGTB, CTB e CUT) em São Paulo, quando a discussão girou em torno da unificação do piso salarial, me lembrei de tantas outras batalhas que participei em nome do trabalhador paulista. Aquele momento não poderia ter sido mais inspirador, e o tema, dos mais importantes, me fez repensar, além da trajetória, no real motivo de minha indicação.

Fui empossado secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo no dia 9 de março deste ano. Eu sabia que o ineditismo da missão intercalado com inúmeras reuniões, representações, audiências não poderiam me afastar de minha principal característica: a proximidade com o mundo do trabalho e, mais que isso, a intimidade conquistada com o trabalhador.

Hoje, quando vejo as manchetes de jornal dizendo que sou a favor da unificação do piso salarial do Estado de São Paulo, me esforço para entender como poderia ser diferente. O piso salarial único, certamente, dará proteção social e econômica a categorias menos favorecidas, teremos uma distribuição de renda mais justa, além da conquista inegável para o trabalhador paulista de nivelarmos, por cima, o valor do mínimo regional do Estado, criado em 2007.

São Paulo, como a locomotiva do país, precisa dar o exemplo. Ouvi durante os vários pronunciamentos, favoráveis e desfavoráveis à unificação,  que São Paulo não é uma ilha. Não, não é. Mas tem características muito particulares se comparadas com as do resto do país. Essas particularidades (custo de vida e competitividade, por exemplo) devem ser observadas, entendidas e repassadas ao trabalhador. Se São Paulo quer continuar forte como centro consumidor, tem que haver um aumento constante no valor do piso regional.

Esse foi outro assunto tratado no encontro. Hoje, o indicador (PIB + inflação) não está previsto em lei para aumento do mínimo do Estado.  As sindicais querem fazer uma ressalva nessa lei para que esse indicador seja utilizado. Por que é importante? Simplesmente porque dá segurança ao trabalhador em relação ao aumento nos próximos anos.

Firmar o indicador, unificar o piso. Esses foram os temas de destaque do encontro que reuniu sindicalistas, parlamentares e secretários do governo. O dia 13 de novembro, na Assembleia Legislativa, pode ter se transformado no início de uma grande vitória, de uma nova conquista para o trabalho em São Paulo.

Carlos Ortiz é secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo