Que consciência?

Tadeu Morais, secretário de Estado do Emprego (foto: Paulo Cesar Rocha)

Por Tadeu Morais

No próximo 20 de novembro, comemoramos o Dia da Consciência Negra. Data que nos remete a muitos anos de abuso, de desrespeito, preconceito racial, mas, principalmente, nos faz lembrar o serviço escravo ao qual o negro esteve submetido no Brasil. Em essência, é sobre uma forma de trabalho, injusta e desumana, que falamos nessa data.

Embora não vivamos mais em uma sociedade oficialmente escravagista, caminhamos a passos lentos rumo à efetiva inclusão dessa parcela significativa da população brasileira em geral, e paulista especificamente, no mercado de trabalho.

O que temos para celebrar? Que o salário dos negros é 36,11% menor que o recebido pelos brancos? Que a taxa de desemprego dos negros é maior que a dos brancos e amarelos? Ou que negros e pardos comandam 49% dos microempreendimentos no Brasil?

Se o negro tem provado que é tão empreendedor quanto o branco, o mesmo não acontece com o mercado de trabalho que ainda não o recebe de forma igual.

É essa situação discrepante que precisamos combater através de políticas públicas que se imponham e interrompam uma cultura que nos apequena como  Estado. Não somos nós um Estado de oportunidades para todos? Quando vamos reverter esse quadro desfavorável aos negros e servir de exemplo para o resto do país?

Na SERT, o Selo Paulista da Diversidade, há muito, faz palestras no sentido de conscientizar o empresariado para a inclusão das minorias. O trabalho desenvolvido pela equipe, no entanto, encontra resistência difícil de explicar.

Antes de bater no peito e bradar que não somos uma sociedade preconceituosa, precisamos estar sensíveis para entender que ainda não existe no nosso cotidiano democracia racial no Brasil. É preciso, antes de tudo, ter consciência que 300 anos de escravidão no país deixaram feridas profundas e que precisam de cuidados constantes, de vigilância, para serem curadas.

Mas os negros têm seu lugar garantido no mercado de trabalho, vão dizer alguns. Sim. De fato têm. Mas as diferenças, além de salariais, são de oportunidades também. Em São Paulo, apenas 5,7% deles, ocupam cargos de direção ou planejamento. Em compensação, 61,1% estão em cargos de execução. E isso não é uma simples coincidência.

Vamos aproveitar essa data e realmente fazer uma reflexão profunda sobre assunto. Incentivar ações positivas, promover outras, para que os negros tenham o mesmo direito que precisa beneficiar todo cidadão – direito que sua capacidade de trabalho seja igualmente reconhecida e paga. Sem distorções, sem diferenças, sem preconceito.

Tadeu Morais é secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho