SERT transmite esperança para imigrantes e refugiados

Mesmo com a crise vivida no país, muitos estrangeiros procuram o país para receber melhores oportunidades de trabalho; em São Paulo, a SERT busca condições para auxiliar essas pessoas

Nos últimos anos, os fluxos migratórios têm recebido grande destaque dos meios de comunicação. Nesta terça-feira (20), o mundo celebra o dia do refugiado, uma forma de lembrança por aqueles que saíram de seus países de origem em busca de paz.

Segundo a ACNUR, agência da ONU para refugiados, o número de solicitações de refúgio no Brasil aumentou mais de 2.868% entre os anos de  2010 e 2015. Em abril de 2016, o país tinha 8.863 refugiados reconhecidos de diversas nacionalidades, como sírios, colombianos, bolivianos, congoleses e angolanos, como Benedito Kinzamba.

O jovem de 20 anos saiu de Luanda, capital de Angola, em busca de emprego e encontrou no Brasil uma oportunidade de mudança de vida. Está há cinco meses no país e atualmente trabalha como aprendiz de auxiliar de limpeza na empresa Paineiras. Atua numa das praças de atendimento da prefeitura no centro da Capital. “Em Angola, só trabalha quem é maior de idade, além de não aparecer oportunidades de emprego com facilidade”, explica Kinzamba.

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Sair do país de origem para uma nova cultura carrega uma série de obstáculos. Não foi diferente com Kinzamba. “Meu pai está no Brasil há um ano. Mas deixamos minha mãe e mais quatro irmãos em Angola. Não foi fácil me adaptar aqui, mas estou me acostumando. Não tem como evitar a saudade, mas a gente vai aprendendo a lidar com isso”.

Kinzamba mora atualmente no Centro de Referência e Acolhida ao Imigrante (CRAI), onde convive com outras pessoas em situações como a sua. Com o dinheiro que consegue como aprendiz, compra roupas e outros pertences que considera importantes para seu desenvolvimento. “Quero estudar medicina, mas já percebi que as coisas são bem mais difíceis por aqui”, contou.

Inclusive, Kinzamba já prestou a prova de cidadania da Educafro e foi aprovado. Agora, estuda para passar em algum curso. “A experiência que estou ganhando como aprendiz tem sido importantíssima para meu crescimento e desenvolvimento, porque eu vejo aqui um clima de muito respeito de todos os funcionários. Sou tratado sem nenhuma diferença”, concluiu o jovem que já indicou o trabalho como aprendiz para duas amigas.

Igualdade na seleção

“O processo seletivo é o mesmo, tanto para imigrantes quanto para os outros candidatos. O aprendiz, ao ser contratado, além da rotina de trabalho, também faz um curso de três etapas, com aulas de cidadania, estudos gerais e específicos”, explica Luiz Alberto de Paula, fundador da Include Quality, empresa responsável pela intermediação de aprendizes e empresas.

Kinzamba passou pelo mesmo processo seletivo que os candidatos nascidos no Brasil. “A oportunidade está aí para quem quer aproveitar. A empresa precisa ver o potencial da pessoa e utilizá-lo da melhor forma.”, afirma Thais Alcântara, responsável pelo Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) situado no CIC do Imigrante, na Barra Funda. O posto tem parceria com a Include Quality para a inclusão de estrangeiros no mercado de trabalho.

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A coordenadora de recursos humanos da empresa Paineiras, Cristiane Vasconcelos, destaca a cultura do aprendizado que é aplicada na empresa. “Todos conhecem seu papel dentro da Paineiras. Todos sabem a importância que cada um tem para o nosso sucesso. Isso também se aplica aos imigrantes e refugiados. A diretoria permite a contratação de pessoas nas mesmas condições do Benedito. Isso mostra o valor que a empresa dá ao trabalho eficiente.”

“Você consegue um bom resultado quando a empresa possui uma cultura de respeito. Há empresas que contratam aprendizes para cumprir a cota. Isso desmotiva os funcionários”, ressalta Thais. “A mudança envolve todos os setores, desde o funcionário até a diretoria”, completou.

“O sucesso no mercado de trabalho depende exclusivamente do trabalhador. Se a pessoa faz um bom trabalho, não chega atrasado, se dedica na função, ela pode conquistar muitas coisas”, afirma Luiz Alberto. “A gente vê que a demanda de imigração é muito maior. A Paineiras é uma empresa de grande respeito e é um exemplo positivo a ser seguido de valorização do ser humano, independentemente de etnia, nacionalidade ou qualquer outro segmento”, concluiu.

Sobre o CIC

O CIC do Imigrante foi criado com a proposta de ser um espaço em que o imigrante pudesse encontrar os diversos serviços que lhe são necessários. Inaugurado no final do ano passado, oferece um atendimento especializado e centralizado de informações e serviços com objetivo de acolher e facilitar o acesso a direitos fundamentais a estrangeiros que chegam a São Paulo em situação de vulnerabilidade.

Iniciativa da Secretaria da Justiça é um projeto pioneiro do Governo do Estado, atendendo à crescente demanda detectada pelos comitês de enfrentamento ao tráfico de pessoas, combate ao trabalho escravo e atenção a refugiados coordenados pela pasta. Vários órgãos públicos funcionam no local, como as defensorias públicas Estadual e Federal, o Procon e a SERT (por meio do PAT). Também são oferecidos cursos de Português para estrangeiros e cursos profissionalizantes por entidades de voluntários.

 

Gabriel Luna e Jaqueline Gonçalves
Assessoria de Imprensa da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT/SP)